quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dia nacional da adoção

Hoje, 25 de Maio, é celebrado o dia nacional da adoção.

Quem acompanha meu blog sabe que no dia 8 de Outubro do ano passado eu me tornei tia da Amanda, que foi adotada aos oito anos pela minha irmã.

As pessoas que olham de fora às vezes não sabem muito bem como reagir diante de uma adoção, principalmente uma adoção tardia, como foi o caso dela. E elas falam muita besteira.

"Nossa, sua irmã adotou uma criança de oito anos? Ela é muito corajosa, né?"

Deixa eu contar uma coisa pra você, cara pálida. Ter um filho nesse mundo de merda que a gente vive é meio que um ato de coragem mesmo, chego a dizer quase de rebeldia. Mas adoção não requer coragem não. Requer a vontade e a capacidade de entregar seu coração pra uma pessoa que até um mês atrás você não conhecia. A gente faz isso o tempo inteiro. É amor que chama.

"Olha, a tia da prima da cunhada da minha avó adotou um menino mais velho e nossa, ele deu tanto trabalho..." 

Três palavras pra você: Suzane Von Richthofen. Dando um tempo na zoeira, vamos lá:
a) Eu estou te contando sobre minha sobrinha e a única coisa que você consegue me oferecer é uma visão absurdamente negativa de algo que está me deixando feliz? Você é uma pessoa horrível.
b) Filhos dão trabalho. Às vezes as coisas não saem mesmo como o planejado mas eu garanto que quase nunca tem a ver com o fato da criança ter sido adotada ou não. Os Nardoni eram filhos biológicos e olha que gente boa heim?
c) Adoção tardia certinha, dentro da lei, é acompanhada por psicólogo, assistente social e uma série de profissionais para garantir que aquela criança e os pais tenham todo o suporte necessário para se adaptar à nova vida. Isso minimiza bastante as chances de alguma coisa "dar errado". (Mas não elimina, infelizmente. Durante o processo de adoção é comum ouvir histórias de crianças devolvidas, por mais absurdo e cruel que isso possa parecer)

"Agora ela vai engravidar, cer-te-za!"

No caso da minha irmã foi exatamente isso que aconteceu ~risos~ (sim, minha irmã engravidou um mês depois da chegada da Amanda, Cecília will be in da house em Junho) MAAAAS: você nem conhece a minha irmã, queridinho. Nem sabe se ela e meu cunhado tinham alguma dificuldade pra conceber. Nem sabe se eles estavam tentando. Esse comentário é invasivo,desnecessário e exclusivamente baseado no senso comum, além de ser ofensivo considerar que a adoção é "o que deu pra fazer já que o filho biológico não veio". Se houvesse uma gota de verdade nessa bendita crença poderíamos fechar todas as clínicas de fertilidade do mundo já que a solução para casais com dificuldade de engravidar é tão simples né. Basta adotar um filho e bum: gravidez na sequência garantida.

"Ah, mas deve ser outra coisa ter um bebê assim, com a carinha da gente."

Não, não é. E se você quer ser pai/mãe por isso, não seja. Seus motivos estão completamente equivocados.

"Que sorte a dela encontrar vocês!"

Quem tem sorte somos nós, amigo. Garanto.

Tudo que eu disser sobre a Amanda hoje vai ser um punhado de clichês e embora clichês sejam expressões que, repetidas à exaustão, perderam o significado, no caso dela é tudo verdade. Ela é sim um serzinho iluminado, lindíssima por fora e por dentro, cheia de defeitos como todo ser humano, com manias e birras de criança de oito anos e uma alegria que faz com que a gente esqueça por um momento que ela viveu quase uma década longe de nós. Eu vejo a pele negra dela, aquele cabelo cacheado maravilhoso, e me dói demais imaginar que ela vai passar por coisas que eu e minha irmã, branquinhas do cabelo liso, nunca passamos e nem iremos passar na vida. E me dá vontade de colocá-la num potinho e protegê-la de toda maldade do mundo, mas eu não posso fazer isso. Eu só posso tentar garantir o tempo inteiro que ela saiba o quanto é inteligente, capaz e linda sim. Perfeita.





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terça-feira, 23 de maio de 2017

Eu só acho engraçado que...

... toda vez que o assunto da separação vem à tona alguém me diz: "eu nunca entendi mesmo o jeito como ele te tratava à vezes"

Estão perdoados, queridos. Eu estava lá o tempo todo e só fui entender agora. 


segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ria da minha vida antes que eu ria da sua

Alguém peloamordedeos me salve de mim mesma porque olha. Só passo vergonha nessa vida.

Semana passada encontrei uma mãe no bebedouro da escola e lembrei que a filha dela tinha perdido algumas aulas porque estava doente. Cheguei toda solícita:

"Oi, tudo bem? Ela está melhor?"

Mãe me olha com cara de "oi"?

"Ela quem?"

A mãe era outra. Essa tem um filho adolescente que vem aos sábados e passou aqui durante a semana só para pegar um café. 

Sábado estou na secretaria e avisto um pai de aluno antigo já da escola. O pai também já estudou aqui, inclusive foi meu aluno. Dou aquela acenada empolgadinha querendo fazer a simpática já que tenho fama de brava por aqui. 

Era outro pai x, de aluno novo, que nem me conhecia e me olhou como se eu fosse doida. 

Domingo. Estou conversando com um crush no whatsapp e ele me falando que tinha ido ao show da banda de uns amigos dele. Me manda um vídeo da banda. Eu acho que é ele no vídeo mas não tenho certeza porque o clipe é de 2011 e ele é japonês né, rola uma dificuldade. Assisto ao vídeo 500 vezes, dou print, vou comparar com as fotos do tinder. Mando os prints pros amigos em busca de uma segunda opinião. Demoro uns 10 minutos nesse processo até que ele se dá por vencido e diz: "você percebeu que sou eu no vídeo, né?" 

Isso porque em 2011 ele já tinha o braço fechado de tatuagem mas né? Meu histórico de dificuldades com rostos me fez ser cautelosa. 

Hoje estou saindo do dentista e vejo de longe na mesma calçada um cara que parece ser o moço com quem eu saí na quinta-feira mas não tenho certeza. Em minha defesa esse moço é desses hipsters barbudos magrinhos genéricos de jaqueta da Adidas que parecem clonados e moram todos na Augusta. E estava de óculos escuros. Diante dos últimos acontecimentos, escolho fingir que não vi.

Cinco minutos depois recebo uma mensagem: "Oi, acho que eu cruzei com você na Pio XI agora pouco".



Alguém me ajuda gente, tá cada dia mais difícil ser eu.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Amor nos tempos do tinder

A parte boa de ser solteira é a gente se apaixonar semana sim semana não.

Primeiro me apaixonei pelo cara grandão que tocava guitarra, tinha uma filha e morava longe. Porque além de ele ser lindo, ele me chamava de baby, tinha Kate Nash na playlist e odiava o Paris 6. Esse moço deve ter começado a namorar pois um dia nunca mais me deu notícias e depois me bloqueou no whatsapp (doeu um pouquinho, mas a verdade é que eu só descobri sem querer quando fui mandar mensagem pra um amigo que tinha o mesmo nome que ele e vi que não tinha mais foto dele nos meus contatos).

Depois teve o publicitário com cara de príncipe, de moço que a gente vê na televisão, meio Caco Ciocler jovem meets Tiago Iorc. Esse moço me chamou pra um rolê de rap e tinha tatuagens de cadeia no peito e no tornozelo (a do tornozelo inclusive tenho certeza que foi feita com caneta bic). Eu gostava dessa mistura de carinha de moço pra casar com corpinho de boy treta. Mas aí esse moço se mudou pro interior e a gente ainda se fala de vez em quando, mas já deu tempo de desapaixonar.

Em seguida veio o professor de biologia barbudo com cara de mau que gostava de Carl Sagan, Neil Gaiman e filme de samurai. Tinha sobrinhos lindos, uma voz grossa delícia e um papo melhor ainda, mas no fim das contas ele só queria mesmo era compartilhar nudes (dele, no caso ~risos~). Nunca saímos do whatsapp.

O da semana é o principezinho loiro e fofo que tem sotaque do interior de São Paulo, fala holandês e toca violão clássico. O date foi bonitinho, com direito a restaurante francês e todos esses clichês. Quero ter filhos baixinhos e bilíngues com ele. Pelo menos até semana que vem.




segunda-feira, 24 de abril de 2017

Hoje é dia de reclamar

Cês me desculpem o post meio genérico mas é que vou reclamar do trabalho então quanto mais genérico melhor.

Eu trabalho numa escola de inglês cês sabem né?

E os nossos alunos, quando terminam o curso, fazem uma prova de certificação internacional e não pagam nada por isso, etc.

E eu sou a pessoa que inscreve esses bonitinhos para essa prova.

O processo de inscrição tem 495 passos e todos eles podem dar errado em algum momento e, acreditem, eles dão.

Pra começar a maioria dos alunos é menor de idade e por isso eu não tenho no sistema o CPF deles. Então pra facilitar peço para eles preencherem uma ficha com nome completo, e-mail, CPF e um código que eles recebem junto com os livros didáticos que são as informações que preciso para fazer a inscrição.

Eles entregam a ficha com o e-mail ilegível (e se eu cadastrar errado eles não conseguem confirmar a inscrição).
Eles erram o próprio CPF.
Eles colocam o código faltando número.

Daí eu corro no telefone para consertar tudo isso.

Quando vou colocar o código do livro ele está: inválido.

Por que ele está inválido, tia Paula?

Porque até semestre passado o código não precisava estar cadastrado no sistema para ser validado, agora precisa. E ninguém avisou a gente.

Daí eu corro no telefone avisando aos alunos que eles tem que cadastrar o código no sistema para que eu consiga fazer a inscrição. E o prazo rolando.

Daí nos 45 do segundo tempo (ou 54, se for jogo do Palmeiras) eu consigo inscrever todo mundo.

Cês pensam que acabou?

Pra poder fazer a prova no fim do semestre os alunos tem antes que fazer um simulado online que é obrigatório. Teoricamente eles receberiam por e-mail um link com as instruções para fazer tal simulado até dia tal.

Teoricamente porque dois dias depois da data prevista ninguém tinha recebido nada. Ligo para a central de suporte e a resposta é: "ah, muitos e-mails estão bloqueando as mensagens porque são em massa, melhor você entrar no sistema e enviar esse link um por um pros alunos"

Sei lá, a gente tem uns 4 mil alunos fazendo essa prova todo semestre. VOCÊS PODIAM TER PREVISTO QUE ESSE VOLUME DE E-MAILS SENDO ENVIADOS DO MESMO SERVIDOR NO MESMO DIA IA DAR RUIM, NÉ?

Não previram. E lá fui eu enviar os links e senhas um a um para os alunos. E telefonar para garantir que eles receberam porque também tinham prazo.

Mas esperem, isso não é tudo!

O prazo para fazerem os simulados encerrou sábado. Hoje tecnicamente eu teria acesso aos resultados e poderia alocar os alunos para fazer prova no local mais conveniente para eles.

Mas é claro que 600 escolas acessando o mesmo sistema ao mesmo tempo não ia dar certo, né? Tá fora do ar. E a galera tá arrancando os cabelos porque todo mundo quer alocar seus alunos o quanto antes senão só sobram aquelas escolas lá nos cafundós do Judas.

E depois de alocados, os alunos tem que confirmar a inscrição por e-mail até dia tal senão não fazem a prova. E os jovens, vocês sabem, não olham e-mail, ou seja, vou ter que telefonar pra todo mundo de novo lembrando de confirmar.

Eu estou há um mês lidando com isso. Um.fucking.mês.


É só o que eu tenho a dizer a respeito

domingo, 23 de abril de 2017

Talvez eu queira que você leia isso, talvez não

Tenho pensado muito em você nos últimos dias. Acho que é normal. Foram 9 anos e eu até gostaria de brincar de brilho eterno de uma mente sem lembranças mas não vai rolar. 
Eu sinto saudade de você. 
Eu ainda lembro dos seus olhos verdes e do seu sorriso de dentes tortos por causa do trompete. 
Eu não esqueço como eu gostava do jeito como você puxava conversa com todos os caixas de supermercado e garçons do mundo. 
Eu admirava a maneira como você se preocupava com todo mundo. 

Mas no final você não se preocupou comigo.

Nosso relacionamento não acabou no dia 9 de Janeiro. Acho que nenhum relacionamento acaba de um dia para o outro.
Ele já tinha acabado quando você decidiu mais uma vez que iria escalar sozinho ao invés de tirar ferias comigo.
Já tinha acabado quando nós discutimos na frente dos seus amigos porque você tinha decidido participar de uma corrida no dia e horário da comemoração do meu aniversário.
Já tinha acabado quando você defendeu uma atitude escrota que me chateou muito só porque a pessoa escrota em questão era sua amiga. 
Tinha acabado anos antes quando, em tom de brincadeira, você me disse: "eu quero ter filhos, mas não com você" (eu nunca quis ter filhos mas hoje percebo que nós deveríamos sim ter terminado naquele dia, porque essa frase foi agressiva demais. E eu ainda fiquei por mais 2 anos depois disso) 
Já tinha acabado quando você cobria todas as suas atitudes paternalistas com o manto do "eu me preocupo com você" 

Você não se preocupava comigo, você se preocupava com sua imagem de bonzinho. 

E ainda assim eu às vezes sinto sua falta porque antes de começar a acabar a gente foi sim muito feliz.  

Mas eu acho que é normal. E que uma hora vai passar.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

As aventuras de tia Paula solteira

Pra vocês verem né:

Conheci o boy no tinder e a gente foi conversando. Barbudo, alto, gordinho, mora perto. Meu número. A gente se viu uma vez, tomamos um café, demos uns beijinhos, tudo como manda o figurino, mas daí não batia de nos encontrarmos. Ele tem uma filha adolescente que mora com ele, difícil sair a noite, depois fui viajar duas semanas, minha mãe ficou lá em casa, enfim.
Eu já tinha reparado que o barbudinho fazia a linha carente, seja por ser mesmo ou por achar que mulher curte, enfim. Era um tal de bom dia minha vida, boa noite meu amor de uma cara que eu tinha beijado uma vez que estava incomodando.

Daí a gente combinou de se encontrar de novo. E ele não deu sinal de vida. Não atendeu celular, não respondeu mensagem. Mandou whatsapp meia noite como se nada tivesse acontecido perguntando se eu estava acordada. Fiquei putaça, mandei à merda, ele sumiu 4 dias. Daí tentou de novo e como eu não tarra fazendo nada e ele era mesmo bem gatinho resolvi dar corda. Só que naquele dia eu não podia. E deixei claro bem cedo que não podia, não dei o cano nele como ele tinha feito comigo.

Ele?

Ficou bravinho e disse que eu seeeempre tinha alguma coisa mais importante pra fazer do que ver ele. E começou a mandar mensagem de cinco em cinco minutos cobrando que eu não respondia.

38 anos na cara, macaca véia né?

Bloqueei. Não quis nem argumentar porque o alarme de barca furada estava não apenas apitando, estava berrando "SAI DESSA MINHA FILHA QUE ESSE BOY É TRETA"

Mas daí vocês veem como ser mulher é uma merda. No começo das nossas conversas ele me mandou uma foto que tinha tirado durante uma corrida matinal e eu comentei que trabalhava na frente daquela praça, que coincidência. Bloqueei o boy treta e ele sabia onde eu trabalhava. E o medo?

"Ah, mas tem mulher louca que vai fazer escândalo no trabalho dos ómi também"

Deve ter, né? Mas nenhuma ameaça a integridade física do cara, no máximo vai arranhar o carro dele. Já um cara de 1,85 e 100 quilos que eu nem conheço direito mas deu sinais de ser meio descompensadinho pode me ameaçar sim. E muito. E por nada, só por achar que "tem direito".

Tô nova nessa coisa de solteirice mas já aprendi uma lição: só digo pro boy onde eu trabalho depois de ele conhecer minha mãe.


Sai macho